Tornar as cidades e os aglomerados humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis — o desafio urgente de Luanda e das cidades angolanas.
Luanda é uma das cidades de crescimento mais rápido de África e do mundo. Com cerca de 9 milhões de habitantes — mais de um quarto da população angolana numa única cidade — a capital enfrenta desafios imensos de habitação, saneamento, mobilidade, resíduos e serviços urbanos. Mais de 60% dos luandenses vivem em musseques sem infraestruturas adequadas.
Os musseques de Luanda são uma realidade urbana com lógica própria: comunidades densas, economicamente activas e culturalmente ricas, mas sem acesso a serviços básicos formais. As iniciativas de requalificação urbana precisam de integrar os moradores existentes em vez de os deslocar para a periferia — uma lição aprendida com experiências anteriores que geraram conflitos sociais.
O caos de trânsito em Luanda é emblemático dos desafios de mobilidade urbana: a cidade foi desenhada para 500.000 habitantes e alberga 9 milhões. O programa de reabilitação de vias e construção de viadutos melhorou a circulação em algumas zonas, mas a falta de transporte público eficiente obriga à dependência do táxi e do automóvel particular.
O Governo angolano investiu em projectos como a Cidade do Kilamba — uma nova cidade planificada a 30 km de Luanda, com capacidade para 500.000 pessoas. Embora criticada inicialmente pela falta de serviços e pela localização remota, o Kilamba foi sendo ocupado e demonstra que é possível criar habitação digna em escala. A descentralização para cidades secundárias como Huambo, Lubango e Malanje é também uma prioridade estratégica.
O SELO ODS ANGOLA certifica organizações que constroem cidades mais humanas. Luanda e as cidades angolanas são o futuro do país — investir na sua sustentabilidade é investir na qualidade de vida de milhões de angolanos.
Os musseques são os bairros periféricos e informais de Luanda, que albergam a maioria da população da cidade. Embora frequentemente caracterizados pela falta de infraestruturas formais, são centros de actividade económica intensa, cultura luandense autêntica e identidade urbana. Qualquer política urbana eficaz precisa de reconhecer e integrar os musseques, regularizando a titularidade da terra e expandindo os serviços básicos, sem forçar deslocamentos populacionais.
Luanda tem investido na expansão da rede de autocarros de trânsito rápido (BRT), com corredores expressos que ligam os bairros periféricos ao centro. O comboio suburbano Luanda-Viana também foi reabilitado. No entanto, o sistema de transporte público ainda é insuficiente face à dimensão da cidade e à sua população, levando à proliferação de táxis e candongueiros — minivans privadas que são a espinha dorsal da mobilidade de muitos luandenses.
Certifique o seu compromisso com o ODS 11 e mostre que a sua organização faz parte da solução urbana de Angola.
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