Reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles — uma das maiores urgências de Angola, onde a riqueza petrolífera coexiste com pobreza extrema.
Angola está entre os países mais desiguais do mundo: possui vastos recursos naturais e uma elite urbana com alto padrão de consumo, mas também milhões de cidadãos sem acesso a serviços básicos. O coeficiente de Gini angolano situa-se em torno de 0,51 — um dos mais elevados de África — reflectindo uma concentração de renda que ameaça a coesão social e o desenvolvimento sustentável.
A desigualdade angolana tem múltiplas dimensões: geográfica (Luanda vs. interior), sectorial (petróleo vs. agricultura), racial e étnica (legado colonial ainda presente nas estruturas de poder), e de género (mulheres sistematicamente excluídas das oportunidades económicas formais).
A bonança petrolífera das décadas de 2000 e 2010 beneficiou principalmente uma elite ligada ao sector extractivo, enquanto o crescimento económico teve impacto limitado na redução da pobreza para a maioria da população. A diversificação económica e a reforma dos serviços públicos são essenciais para distribuir os benefícios do crescimento de forma mais equitativa.
A concentração de investimento, empregos formais, serviços de saúde e educação de qualidade em Luanda cria um país de duas velocidades. Províncias como Bié, Moxico, Cuando Cubango e Cunene têm índices de desenvolvimento humano comparáveis aos países mais pobres do mundo, apesar de pertencerem a um país de rendimento médio-baixo. A desconcentração económica é um imperativo para a coesão nacional.
O SELO ODS ANGOLA certifica organizações que contribuem activamente para uma Angola mais justa e inclusiva. Reduzir desigualdades não é caridade — é a condição para a estabilidade, o crescimento e a paz social de longo prazo.
O coeficiente de Gini mede a desigualdade de rendimento numa escala de 0 (igualdade perfeita) a 1 (desigualdade máxima). Com um Gini de cerca de 0,51, Angola está entre os países mais desiguais do mundo — mais desigual do que a maioria dos países africanos. Isto significa que a riqueza gerada pelo petróleo e pela economia urbana está muito concentrada, enquanto a maioria da população tem rendimentos muito baixos.
O Programa Kwenda, de transferência directa de rendimento às famílias mais pobres, é o principal instrumento redistributivo do Governo angolano. Ao entregar dinheiro directamente às famílias vulneráveis — especialmente em zonas rurais — o programa aumenta o rendimento disponível dos mais pobres e contribui para reduzir o Gini. No entanto, a escala e o financiamento do programa ainda são insuficientes face à magnitude da desigualdade angolana.
Certifique o seu compromisso com o ODS 10 e demonstre que a inclusão é um valor central da sua organização.
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